terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Dengo

caminha em direção ao que ama
e com o passar do tempo
as palavras solitárias
se aconchegam

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Leve

se o vento passasse dependendo da sua doçura
eu gostaria tanto que meu membro me entregaria

Loucura

uma bolha que vaza tanta luz

e mesmo assim a gente não consegue perceber

o que tem exatamente atrás dela...


será essa a beleza do mistério?!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Caixa de joias

ela abre sua caixa antiga
como quem abre o coração
lentamente
de peça em palavra
ela conta sua vida

o primeiro brinco
de bolinha
só um só
o outro se perdeu
com a meninice

o primeiro conjunto
um par de brincos e um pingente
de anjos repousados numa lua brilhante
um dos anjos da orelha
logo resolveu voar

uma bailarina veio preencher as ausências
um tempo depois deixou de dançar no seu peito

o primeiro anel
não era aliança
mas foi do primeiro amor
cheio de estrelas que rodavam

o segundo era de pedra
uma tentativa do amor segundo
que um dia caiu e se quebrou

a pulseira que o pai achou e deu pra mãe
a mãe usou que deu pra avó
que guardou usando
pra dar pra neta
aos quinze anos

o pingente com a santa
que o pai mandou
pra carregar no peito
e andar com proteção

um par de brincos dourados
com pedras verdes da avó
que lembram os olhos e cabelos dela

o anel que comprou com o primeiro salário
uma borboleta de prata indiana
que acompanhou tantos dias
e que guarda para a filha

outro que comprou com o pagamento atrasado
de lápis lazuli
pra inspirar os dias

o conjunto de um par de brincos e anel
de pedra coral num vermelho intenso
da cor da paixão do amor que deu pra ela

hoje ela anda com um relicário de pedras miúdas
marcassitas que caem com o passar dos dias
e pra preencher suas ausências
ela guarda uma pedrinha violeta
pra iluminar seu coração